Jesus é o maior
exemplo de missionário na execução de uma missão e por que não dizer missão
nacional? Sua missão iniciou-se na sua terra, porém como a missão de Deus não
se limita geograficamente, se espalhou até os confins da terra, pois este era o
desejo do coração do nosso Pai. Ele mesmo falou a Abraão que "todas as
famílias da terra seriam abençoadas através dele".
Ao olharmos para
Jesus, vemos seu amor pelo seu povo, sua nação, que mesmo em uma nação
particular para Ele onde seu principal alvo inicial eram os "filhos", como bem disse a mulher cananéia, existiam entre esses "filhos"
diferenças que distinguiam-se tanto em aspectos
sociais, quanto financeiros, religiosos e morais.
Jesus tinha um
compromisso com sua missão e Ele mesmo disse: "Eu vim para os meus".
Sua missão era o seu povo, sua missão era a sua gente, os seus compatriotas
eram o seu alvo principal, haja vista que tinha e tem a convicção de que estão
dentro dos planos do Pai na história da eternidade.
Jesus estava
disponível aos líderes religiosos como Nicodemos, Jairo e José de Arimatéia, estes quando vieram extrair o melhor dele, o melhor alcançaram.
Semelhantemente, pessoas simples encontraram nele o maior e melhor amigo,
pescadores, mulheres, crianças, todos tinham acesso a Ele. E em alguns casos,
quando pessoas não tinham acesso a Ele, mesmo sendo um gadareno, lá estava
Jesus atravessando o mar da Galiléia, enfrentando uma tempestade e libertando o
homem de legiões de demônios, a adúltera, a samaritana, leprosos, publicanos,
gente que estava dentro da nação, porém longe de Deus por conta da rejeição dos
religiosos e da religião eram alcançadas pelo salvador
Jesus.
O unigênito de Deus
quebrou alguns protocolos por compaixão, curando no dia de sábado. Mesmo contrariando seus compatriotas, deixou claro que estava indo de
acordo com os propósitos do Pai que está além dos nossos olhos. Foi
questionado, criticado, julgado, zombado, desprezado, abandonado, desprovido de
defesa e de amigos. Sentiu-se sozinho, todavia em nenhum momento deixou de lado
sua missão, pois o amor que o movia superava qualquer adversidade. A bíblia
chega a dizer que tendo amado os seus, amou-os até o fim. Por fim, recebeu a
morte como coroa de um ministério bem sucedido.
A igreja brasileira precisa em nossa geração entender o real significado de missões, temos visto em nossa nação
brasileira muito movimento e porque não dizer muitos eventos
"missionários", entretanto, não sentimos o "cheiro do mato"
e nem das ovelhas nos grandes pregadores que atraem multidões, não vemos mais as
marcas como antes viam em Paulo, não vemos e não sentimos o amor de Jesus
copiado em muitos missionários e nas missões nacionais. Muitas vezes quem fala de
missões já não experimenta o campo missionário junto aos não alcançados há
muito tempo.
Como seremos missionários
como Jesus se levantamos muros que servem de fronteiras intransponíveis? Muros
denominacionais, de classes sociais, teorias na qual cada um defende a sua tese
e sua interpretação, Jesus deixou uma igreja na terra para que através dela
vidas fossem salvas, não temos tempo para perder.
Nesta data, queremos
trazer à memória a Reforma Protestante, pois nos ensina que a salvação é um
dom de Deus, ela não vem de nós para que ninguém se glorie, a salvação é
pela graça e por que não dizer "de graça" ou melhor sem cachês ou
valores. Em nossos dias, estar diante de uma multidão leva muitos a pensarem no
lucro que isso dará. Jesus diante de uma multidão se preocupa em não
despedi-los vazios de alimento, com isso aprendemos que o maior retorno que um
missionário pode esperar são as vidas alcançadas, é vê-las salvas e se este é o
desejo do coração de um missionário, seu anseio não está em assumir púlpitos ou
microfones, mas em estar no campo.
Hoje em nossa nação
temos que romper algumas fronteiras para ir ao encontro das ALMAS. Fronteiras
estas que nos separam das regiões secas dos estados do nordeste, das cidades de Minas Gerais com percentual de 1% de cristãos, dos índios não alcançados, dos enfermos nos hospitais, dos presos, dos orfanatos, dos asilos, dos
jovens marginalizados nas comunidades, das ruas com os mendigos. Precisamos
entender que essa fronteira não significa distância ou resistência
governamental ou religiosa, esta fronteira está em nossos corações.
Uma grande missão
não começa ao embarcarmos em um avião com destino internacional. Uma missão
começa no simples fato de nos levantarmos em direção aos perdidos, ao
atravessarmos um rio de canoa, ao caminharmos por horas em uma estrada de chão,
ou ao subirmos ladeiras e escadarias de uma comunidade...
Louvemos a Deus pela
missão nacional, esta que tem sido feita por quem ama sua pátria, desconhecidos
nos ribeirinhos da Amazônia, no sertão do norte e nordeste, nas matas do
Maranhão, nas favelas das comunidades e em tantos outros lugares.
No ano de 2017
estive em uma das viagens missionárias que mais marcou minha vida, trabalhamos
em três aldeias indígenas no Estado do Maranhão, duas delas já tinham sido
alcançadas pelo Evangelho (Areão e Massaranduba) e a terceira ainda não (Kaapo), as duas que já tinham índios
convertidos falavam o idioma Tupi-Guarani, mas a terceira era a aldeia Kaapo
que falava seu idioma próprio, foi desafiador chegar ali, pois além das muitas
horas de estrada de uma aldeia para a outra e a maior parte da estrada ser chão
de terra e nossa equipe de missionários estava em cima de uma caçamba de
caminhão sob um sol escaldante por longas horas, tínhamos que atravessar o rio que estava muito
cheio de canoa, foi inesquecível.
Em todas as aldeias
fizemos ações sociais, cortamos cabelos, distribuímos material higiênico,
fizemos escovação de dente nas crianças e aplicação de flúor. Nós fomos ali em
um momento muito tenso, pois muitos índios estavam resistentes quanto a nossa
presença, alguns madeireiros haviam devastado a floresta em torno da aldeia
e eles dependem muito da floresta para caçar, colher frutas e estavam em uma
situação muito precária por conta desse desmatamento.
Para tudo isso ser feito nós aprendemos algumas
palavras para facilitar nosso trabalho e então na hora de escovar os dentes das crianças eu perguntava o nome delas dizendo: “maindaré?”, que significa “qual
é o seu nome?” e após dizerem os nomes eu respondia: “inré José”, ou seja, “meu
nome é José”, enquanto eu atendia as crianças um índio adulto acompanhava tudo
de perto e ele aprendeu o meu nome.
Acabamos o trabalho
de forma muito satisfatória, um índio foi fazer uma demonstração de tiro de arco
e flecha, ele pegou dois mamãos bem pequenos, colocou em uma distância razoável
e todas as vezes que disparava a flecha, acertava. Os pastores que estavam
comigo na viagem também tentaram, mas não conseguiram acertar o alvo, por fim
eu pedi para tentar também, ironicamente ao atirar a flecha caiu nos meus pés,
todos riram de mim (fui pagar mico no meio da floresta), mas eu peguei aquela
flecha e tentei novamente, mas agora ela não caiu, eu acertei o mamão.
Nesse momento o
índio que aprendeu o meu nome começou a gritar “José, José”, e todos os índios
vieram me abraçar, parecia que eu tinha feito o gol da vitória do campeonato,
foi um momento inesquecível. Quando voltávamos para nossa base a missionária
que trabalha no campo havia mais de 10 anos disse nunca ter visto os índios
reagirem assim com um homem branco, principalmente naquela aldeia, por conta
dos problemas com os madeireiros, ela me disse uma palavra que eu nunca
esquecerei, “José, você não acertou o mamão, você acertou o coração dos
indígenas, pois ao te abraçarem, eles estavam dizendo que você era como um
deles, pois podia fazer o que eles fazem”.
Fomos embora, voltei
para o Rio, eu era outro cristão, eu passei a ter outra visão do que é ser
cristão e sobre a missão da igreja, sobre algumas questões que causam conflitos que deveríamos nos envergonhar diante da real missão que precisamos desempenhar, hoje naquela aldeia já existe uma igreja e
muitos índios convertidos, após essa viagem algo mudou , claro que essa foi a minha experiência junto dos meus amigos que fizeram a viagem, o trabalho incansável dessa
missionária que tanto admiro chamada Iranir Avelino continuou, tudo foi diferente ali, pois se tornaram mais receptivos a presença da missionária e de outros irmãos que a acompanharam.
Hoje eu não posso
ignorar o chamado do campo missionário, o chamado daqueles que ainda não tem
Jesus como Salvador, eu ouço a voz daquele índio que dizia “José, José”. Minha pergunta
para você que está tento contato com esse texto é: “Você pode ouvir o clamor
dos perdidos? Pode ouvir o campo missionário chamar o seu nome?”
Já tem algum tempo
que não viajo, mas nunca deixei de evangelizar, de pregar, de orar por aqueles
que estão no campo, de contribuir, de trabalhar para arrecadar fundos para
mantê-los. Um dia, todos os missionários serão honrados pelo próprio Senhor por
tudo o que fizeram, pois fizeram ao seu próximo e mesmo que não tenhamos ido
para outras terras, devemos fazer a nossa parte com a mesma intensidade onde
estamos, pois isso também faz de nós missionários.
Um missionário reflete
um cenário já estabelecido no céu pela imagem do nosso Jesus, aquele que amou e
se dedicou aos perdidos e pecadores. Isso nos faz benditos juntamente com
Cristo. Faça aos homens como se fosse para o próprio Jesus, um dia Ele mesmo vai
dizer que recebeu todo o amor que oferecemos àqueles que precisavam de ajuda,
principalmente desta tão maravilhosa salvação.
Celebremos a Deus
por fazermos hoje parte de uma obra que Ele mesmo iniciou e nos confiou para
dar continuidade!



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