terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Missões. O clamor dos perdidos, o campo chama seu nome.

 




 Jesus é o maior exemplo de missionário na execução de uma missão e por que não dizer missão nacional? Sua missão iniciou-se na sua terra, porém como a missão de Deus não se limita geograficamente, se espalhou até os confins da terra, pois este era o desejo do coração do nosso Pai. Ele mesmo falou a Abraão que "todas as famílias da terra seriam abençoadas através dele".

  Ao olharmos para Jesus, vemos seu amor pelo seu povo, sua nação, que mesmo em uma nação particular para Ele onde seu principal alvo inicial eram os "filhos", como bem disse a mulher cananéia, existiam entre esses "filhos" diferenças que distinguiam-se tanto em aspectos  sociais, quanto financeiros, religiosos e morais.

 Jesus tinha um compromisso com sua missão e Ele mesmo disse: "Eu vim para os meus". Sua missão era o seu povo, sua missão era a sua gente, os seus compatriotas eram o seu alvo principal, haja vista que tinha e tem a convicção de que estão dentro dos planos do Pai na história da eternidade.

  Jesus estava disponível aos líderes religiosos como Nicodemos, Jairo e José de Arimatéia, estes quando vieram extrair o melhor dele, o melhor alcançaram. Semelhantemente, pessoas simples encontraram nele o maior e melhor amigo, pescadores, mulheres, crianças, todos tinham acesso a Ele. E em alguns casos, quando pessoas não tinham acesso a Ele, mesmo sendo um gadareno, lá estava Jesus atravessando o mar da Galiléia, enfrentando uma tempestade e libertando o homem de legiões de demônios, a adúltera, a samaritana, leprosos, publicanos, gente que estava dentro da nação, porém longe de Deus por conta da rejeição dos religiosos e da religião eram alcançadas pelo salvador Jesus.

  O unigênito de Deus quebrou alguns protocolos por compaixão, curando no dia de sábado. Mesmo contrariando seus compatriotas, deixou claro que estava indo de acordo com os propósitos do Pai que está além dos nossos olhos. Foi questionado, criticado, julgado, zombado, desprezado, abandonado, desprovido de defesa e de amigos. Sentiu-se sozinho, todavia em nenhum momento deixou de lado sua missão, pois o amor que o movia superava qualquer adversidade. A bíblia chega a dizer que tendo amado os seus, amou-os até o fim. Por fim, recebeu a morte como coroa de um ministério bem sucedido.

   A igreja brasileira precisa em nossa geração entender o real significado de missões, temos visto em nossa nação brasileira muito movimento e porque não dizer muitos eventos "missionários", entretanto, não sentimos o "cheiro do mato" e nem das ovelhas nos grandes pregadores que atraem multidões, não vemos mais as marcas como antes viam em Paulo, não vemos e não sentimos o amor de Jesus copiado em muitos missionários e nas missões nacionais. Muitas vezes quem fala de missões já não experimenta o campo missionário junto aos não alcançados há muito tempo.

  Como seremos missionários como Jesus se levantamos muros que servem de fronteiras intransponíveis? Muros denominacionais, de classes sociais, teorias na qual cada um defende a sua tese e sua interpretação, Jesus deixou uma igreja na terra para que através dela vidas fossem salvas, não temos tempo para perder. 

 Nesta data, queremos trazer à memória a Reforma Protestante, pois nos ensina que a salvação é um dom de Deus, ela não vem de nós para que ninguém se glorie, a salvação é pela graça e por que não dizer "de graça" ou melhor sem cachês ou valores. Em nossos dias, estar diante de uma multidão leva muitos a pensarem no lucro que isso dará. Jesus diante de uma multidão se preocupa em não despedi-los vazios de alimento, com isso aprendemos que o maior retorno que um missionário pode esperar são as vidas alcançadas, é vê-las salvas e se este é o desejo do coração de um missionário, seu anseio não está em assumir púlpitos ou microfones, mas em estar no campo.

 

  Hoje em nossa nação temos que romper algumas fronteiras para ir ao encontro das ALMAS. Fronteiras estas que nos separam das regiões secas dos estados do nordeste, das cidades de Minas Gerais com percentual de 1% de cristãos, dos índios não alcançados, dos enfermos nos hospitais, dos presos, dos orfanatos, dos asilos, dos jovens marginalizados nas comunidades, das ruas com os mendigos. Precisamos entender que essa fronteira não significa distância ou resistência governamental ou religiosa, esta fronteira está em nossos corações.

  Uma grande missão não começa ao embarcarmos em um avião com destino internacional. Uma missão começa no simples fato de nos levantarmos em direção aos perdidos, ao atravessarmos um rio de canoa, ao caminharmos por horas em uma estrada de chão, ou ao subirmos ladeiras e escadarias de uma comunidade...

  Louvemos a Deus pela missão nacional, esta que tem sido feita por quem ama sua pátria, desconhecidos nos ribeirinhos da Amazônia, no sertão do norte e nordeste, nas matas do Maranhão, nas favelas das comunidades e em tantos outros lugares.

  No ano de 2017 estive em uma das viagens missionárias que mais marcou minha vida, trabalhamos em três aldeias indígenas no Estado do Maranhão, duas delas já tinham sido alcançadas pelo Evangelho (Areão e Massaranduba) e a terceira ainda não (Kaapo), as duas que já tinham índios convertidos falavam o idioma Tupi-Guarani, mas a terceira era a aldeia Kaapo que falava seu idioma próprio, foi desafiador chegar ali, pois além das muitas horas de estrada de uma aldeia para a outra e a maior parte da estrada ser chão de terra e nossa equipe de missionários estava em cima de uma caçamba de caminhão sob um sol escaldante por longas horas, tínhamos que atravessar o rio que estava muito cheio de canoa, foi inesquecível.

  Em todas as aldeias fizemos ações sociais, cortamos cabelos, distribuímos material higiênico, fizemos escovação de dente nas crianças e aplicação de flúor. Nós fomos ali em um momento muito tenso, pois muitos índios estavam resistentes quanto a nossa presença, alguns madeireiros haviam devastado a floresta em torno da aldeia e eles dependem muito da floresta para caçar, colher frutas e estavam em uma situação muito precária por conta desse desmatamento.

  Para tudo isso ser feito nós aprendemos algumas palavras para facilitar nosso trabalho e então na hora de escovar os dentes das crianças eu perguntava o nome delas dizendo: “maindaré?”, que significa “qual é o seu nome?” e após dizerem os nomes eu respondia: “inré José”, ou seja, “meu nome é José”, enquanto eu atendia as crianças um índio adulto acompanhava tudo de perto e ele aprendeu o meu nome.

  Acabamos o trabalho de forma muito satisfatória, um índio foi fazer uma demonstração de tiro de arco e flecha, ele pegou dois mamãos bem pequenos, colocou em uma distância razoável e todas as vezes que disparava a flecha, acertava. Os pastores que estavam comigo na viagem também tentaram, mas não conseguiram acertar o alvo, por fim eu pedi para tentar também, ironicamente ao atirar a flecha caiu nos meus pés, todos riram de mim (fui pagar mico no meio da floresta), mas eu peguei aquela flecha e tentei novamente, mas agora ela não caiu, eu acertei o mamão.

  Nesse momento o índio que aprendeu o meu nome começou a gritar “José, José”, e todos os índios vieram me abraçar, parecia que eu tinha feito o gol da vitória do campeonato, foi um momento inesquecível. Quando voltávamos para nossa base a missionária que trabalha no campo havia mais de 10 anos disse nunca ter visto os índios reagirem assim com um homem branco, principalmente naquela aldeia, por conta dos problemas com os madeireiros, ela me disse uma palavra que eu nunca esquecerei, “José, você não acertou o mamão, você acertou o coração dos indígenas, pois ao te abraçarem, eles estavam dizendo que você era como um deles, pois podia fazer o que eles fazem”.



  Fomos embora, voltei para o Rio, eu era outro cristão, eu passei a ter outra visão do que é ser cristão e sobre a missão da igreja, sobre algumas questões que causam conflitos que deveríamos nos envergonhar diante da real missão que precisamos desempenhar, hoje naquela aldeia já existe uma igreja e muitos índios convertidos, após essa viagem algo mudou , claro que essa foi a minha experiência junto dos meus amigos que fizeram a viagem, o trabalho incansável dessa missionária que tanto admiro chamada Iranir Avelino continuou, tudo foi diferente ali, pois se tornaram mais receptivos a presença da missionária e de outros irmãos que a acompanharam.

  Hoje eu não posso ignorar o chamado do campo missionário, o chamado daqueles que ainda não tem Jesus como Salvador, eu ouço a voz daquele índio que dizia “José, José”. Minha pergunta para você que está tento contato com esse texto é: “Você pode ouvir o clamor dos perdidos? Pode ouvir o campo missionário chamar o seu nome?”

  Já tem algum tempo que não viajo, mas nunca deixei de evangelizar, de pregar, de orar por aqueles que estão no campo, de contribuir, de trabalhar para arrecadar fundos para mantê-los. Um dia, todos os missionários serão honrados pelo próprio Senhor por tudo o que fizeram, pois fizeram ao seu próximo e mesmo que não tenhamos ido para outras terras, devemos fazer a nossa parte com a mesma intensidade onde estamos, pois isso também faz de nós missionários.

  Um missionário reflete um cenário já estabelecido no céu pela imagem do nosso Jesus, aquele que amou e se dedicou aos perdidos e pecadores. Isso nos faz benditos juntamente com Cristo. Faça aos homens como se fosse para o próprio Jesus, um dia Ele mesmo vai dizer que recebeu todo o amor que oferecemos àqueles que precisavam de ajuda, principalmente desta tão maravilhosa salvação.

  Celebremos a Deus por fazermos hoje parte de uma obra que Ele mesmo iniciou e nos confiou para dar continuidade!



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