quarta-feira, 26 de junho de 2019

Pais e Filhos.

                   

(Simulação)
 "Uma família que fazia toda a diferença em sua igreja prestando serviços ao Reino na grande cidade do Rio de Janeiro, em igrejas dentro de comunidades dominadas pelo tráfico e carente de ações sociais que possibilitassem algumas pessoas quando alcançadas, a serem beneficiadas com algum serviço prestado pela sua igreja e consequentemente serem tocadas pelo amor de Deus, uma família inteiramente entregue ao serviço da obra de Deus, que claro, sempre estava atrelada ao serviço prestado ao próximo. Resultado disso em meio aos anos que se passaram, vidas alcançadas, edificadas e apoiadas através de visitas, evangelismos, eventos, contribuições, conversas, principalmente aquelas após os cultos, eram sempre os últimos a saírem da igreja, pois sempre havia alguém precisando de um conselho, uma atenção, sempre haviam pessoas carentes de alguém, e esta família sempre se colocou nesta brecha, sempre dispostos e disponíveis para cuidar do próximo.
 Com o passar dos anos, os filhos foram crescendo, os filhos que quase sempre estavam em todos esses trabalhos, quando não estavam com os pais, eram deixados com alguém da família ou amigos, a obra precisava ser feita, alguém precisava assumir aquela responsabilidade, e esta família entendia que essa era a sua missão.
 Os filhos foram crescendo, cresceram no calor de uma missão que Deus havia dado aos seus pais, e por não entenderem o que isso tinha a ver com eles, em algum momento sentiram que algo lhes foi tirado, seus feriados dificilmente eram em família, ou em uma viagem, ou em um parque que não fosse tão custoso, ou quem sabe até mesmo aquele dia em família em casa, seus dias de semana, quase que sempre na igreja, sem falar que eram os últimos a saírem da igreja, muitas vezes já dormiam nos bancos esperando seus pais concluírem um conselho muito importante, pois sempre eram urgentes, afinal de contas, os seus pais lidavam com vidas e toda vida tem um valor inestimável. Em casa as conversas eram sempre as mesmas, o próximo projeto de evangelismo, o ensaio, aqueles irmãos que não estavam indo e precisavam de ajuda, diziam "sábado não temos nada, vamos visitá-los!". Isso tudo somado ao tempo de trabalho secular, o estresse do dia a dia, ônibus cheio, engarrafamentos, problemas na empresa, etc.
 Os filhos cresceram, a vida não era comum como a da  maioria dos jovens com a mesma idade, eles acabaram se acostumando com a igreja, a fazer as coisas da igreja, a se vestirem como as pessoas da igreja, mas no fundo do coração de algum desses filhos existia um protesto montado contra a igreja, um grito guardado nas profundezas de sua alma.
 'A igreja roubou meus pais, meus momentos, roubou minha própria vida ao me impor essa maneira de ser'."
 Às vezes este grito fica guardado por toda a vida de alguém que conseguiu maquiar sua tristeza sendo um bom religioso ao cumprir todas as regras que identificam um cristão, mas como o irmão mais velho da parábola do filho pródigo, existem aqueles que em algum momento desabafam tudo o que já fizeram na casa do Pai, todo serviço prestado assegurando que não foram retribuídos por isso, pelo contrário, a casa do Pai foi um prejuízo de vida para eles, infelizmente temos muitos filhos de cristãos com esse grito entalado na garganta.
 Histórias como essas são muito difíceis de contar, aqui não coloquei o nome de pessoas, não daria, pois são muitos os casos que se enquadram exatamente nestes papéis, essa história não é fictícia, essa é uma história que se repete em muitos lares evangélicos, em casas de grandes homens e mulheres de Deus do nosso país, pessoas amadas e admiradas por muitos, que se destacam e têm seu ministério reconhecido, que alimentam quem tem fome, que visitam e cuidam de doentes, que vestem aqueles que estão nus, porém sem perceber, não estão dando a atenção devida aquele ou aqueles pequeninos que todos os dias observam todos sendo cuidados e recebendo atenção, mas a atenção deles é sempre a mínima, estes são os filhos.
 Vamos analisar este fato, não como uma crítica ao serviço que se presta ao Reino, mas o serviço ao Reino em detrimento do cuidado saudável dos filhos em todos os aspectos, principalmente os emocionais.

  1 Coríntios 7: 32. E bem quisera eu que estivésseis sem cuidado. O solteiro cuida das coisas do Senhor, em como há de agradar ao Senhor;
33. Mas o que é casado cuida das coisas do mundo, em como há de agradar à mulher.
34. Há diferença entre a mulher casada e a virgem. A solteira cuida das coisas do Senhor para ser santa, tanto no corpo como no espírito; porém, a casada cuida das coisas do mundo, em como há de agradar ao marido.
35. E digo isto para proveito vosso; não para vos enlaçar, mas para o que é decente e conveniente, para vos unirdes ao Senhor sem distração alguma.
Isso fala do redirecionamento de prioridades, aquilo que era prioridade na minha vida quando solteiro não será mais quando casado, ainda que estejamos falando das coisas do Senhor, ao não priorizar o casamento que agora não se trata da união de duas pessoas como no período de namoro ou noivado, mas ao se unirem no matrimônio nasce uma família, independente se há filhos ou não. Paulo de maneira nenhuma diz que a obra de Deus agora está em segundo plano, ele está deixando claro que agora a família é a obra de Deus na escala de prioridades de cuidado e que devemos dar a ela a devida atenção. Ao olhar para um ministério ou departamento fluindo bem, veremos nisso a dedicação e trabalho daquele líder, da mesma forma que ao olhar para a família de um pastor ou líder de departamento, veremos o cuidado que este têm e investe em sua família, em muitos casos temos visto essa balança com pesos muito desiguais, isso nos chama a atenção para que tenhamos equilíbrio e não deixemos de dar o devido valor a nenhuma das partes.
 Por exemplo, esta família que apresentamos é uma família comprometida com Deus e que não abre mão de princípios e valores, mas por outro lado temos ainda um agravante, aqueles que não somente isso tem sido um problema para os filhos, mas somado a isso ainda agem hipocritamente, são muito bons no contexto religioso, nos ambientes da igreja, mas fora dela e principalmente em casa são outras pessoas, são brigas constantes onde a injustiça, insubordinação, infidelidades, palavras de baixo calão, violência doméstica se tornam parte da realidade da família, são pais que em alguns casos encontraram na separação (divórcio) a solução para um relacionamento conturbado, são traições que são descobertas, dentre tantas outras coisas que ouvimos no desabafo de alguns jovens, como também o que vemos no dia a dia. Tudo isso chega na vida do filho como uma onda tsunami devastadora, este filho que ouviu a vida toda sobre um Deus de amor, Deus da família, Deus que restaura, na cabeça desse filho, Deus é uma uma ilusão, ou se realmente existe, Ele destruiu sua família e o casamento de seus pais, ele agora pensa que a igreja é um lugar para hipócritas, um lugar onde as pessoas podem viver uma vida ilusória onde são santas, quando na verdade são egoístas, maldizentes, mentirosas e infiéis.
 Sei que isso parece pesado de ler, mas gostaria de compartilhar este texto de acordo com as muitas experiências que tenho vivido ao cuidar de jovens a mais de dez anos sei que ainda é pouco o meu tempo e experiência comparado a muitos líderes, mas ao ouvi-los e ao me deparar com alguns casos nestes últimos meses, me sinto fortemente tocado por Deus em denunciar algo que está acontecendo em nossas igrejas e está refletindo em toda a nossa sociedade.
 A alguns meses atrás fui ricamente abençoado por Deus ao conhecer uma psicóloga de São Paulo que trabalha exatamente no acompanhamento de filhos de missionários, foi um período muito pequeno de tempo que estivemos juntos, mas que me acrescentou muito, pois ao passar dos dias que estivemos juntos o Senhor falou fortemente em meu coração que eu deveria fazer algo referente aos filhos de pastores e oficiais da minha própria igreja, desde o exato momento que Deus ministrou em meu coração já entrei em contato com alguns pais que são líderes, tenho tentado de alguma forma dar este suporte, porém ao ministrar em algumas igrejas e trazer sempre mensagens com um tema semelhante que tratam principalmente questões de caráter, sempre sou procurado e algo tem acontecido, tenho sido hoje mais procurado pelos pais do que propriamente pelos jovens, pais que são abençoados no ministério, mas que em algum momento perderam seus filhos e com muita tristeza trago este relato, pois é exatamente quando algo muito ruim vem a tona na vida dos filhos é que decidem agir dando à causa a devida importância e prioridade.
 Fiquei chocado ao me deparar com alguns casos, pois assumiram destaque nas mídias, pois esse destaque virá através da notoriedade do ministério dos pais, dia após dia mais casos como esses me tem chegado, não apenas como informação, mas como pedido de socorro, sinto uma tristeza muito profunda ao saber que uma grande maioria de pessoas que hoje estão nas bancadas políticas defendendo coisas que vão completamente contra os princípios da Palavra de Deus são filhos de pastores ou simplesmente de cristãos nominais, são pessoas que levantam uma bandeira não apenas de uma ideologia, mas que também na maioria das vezes defendem um ato de rebeldia que é pessoal contra um sistema que testemunharam dentro de seus próprios lares, o que vemos nas bancadas políticas não é apenas uma luta de idéias, não podemos levar apenas para esse lado, é também pessoal para muitos, pois a hipocrisia daqueles que deveriam ser os maiores referenciais os fizeram contrair ódio pela igreja e pelos cristãos, e no afã de protestarem contra a hipocrisia dizem revelar sua identidade sem máscaras, diferente dos cristãos que julgam defenderem coisas que nem eles mesmos vivem, essa luta acaba sendo pior, pois é travada entre esses jovens e pastores que em grande parte também são pastores, também temos a infelicidade de contar com aqueles que assumem este lugar na política e se tornam objeto de escândalo para a igreja ao se sujarem com a corrupção negociando princípios e valores em troca de popularidade, aceitação partidária e benefícios injustos (pior ainda para aqueles que dizem que não fazem e não convencem a ninguém). Digo isso certo também de que existem exceções, de que hajam pessoas comprometidas com a justiça, verdade e valores cristãos.

 Os pais.
 Como está seu relacionamento com seu filho? Como seu filho reage à igreja? Ele tem prazer de ser cristão? Ele entende o que é ser filho de Deus? Você tem se esforçado a ensiná-lo a amar a Deus sobre todas as coisas?

 Já ouviu alguém dizer essa frase? "Este amigo(a) que nós aprendemos a amar…".
 Com isso fica muito bem claro que o amor não é simplesmente um sentimento no coração, o amor é um aprendizado, e não deveria ser difícil entender que nossos filhos irão amar a Deus se estivermos dispostos a ensiná-los este amor, claro que toda a responsabilidade de crer em Deus em um momento da vida dependerá da decisão pessoal de nossos filhos, porém temos a possibilidade de ensiná-los o amor à Deus ou o contrário, isso tudo depende muito da nossa atitude no dia a dia diante dos nossos filhos.

 Efésios 6: 4. Pais, não irritem seus filhos; antes criem-nos segundo a instrução e o conselho do Senhor.
 Colossenses 3: 21. Pais, não irritem seus filhos, para que eles não se desanimem.

 Ao olhar para estes textos eu percebo que há algo que os pais podem fazer que afetará diretamente a vida dos filhos trazendo consequências muito negativas, por exemplo, o versículo deveria sugerir que se os pais irritassem seus filhos, eles ficariam irritados, porém diz o versículo que se os pais irritassem seus filhos eles desanimariam, este desânimo que vai se manifestar de muitas formas diferentes na vida do filho é resposta às ações dos pais.
 Quando nós pais entendermos que são essas instruções e conselhos da Palavra que devemos usar para criar nossos filhos, estaremos criando pessoas que saberão administrar seus sentimentos,  lidar com as situações difíceis da vida, e acima de  tudo, aprenderão a amar a Deus sobre todas as coisas.
  
 Ouvi um desabafo uma vez de uma jovem que havia passado por uma experiência traumática em sua casa, uma experiência ruim que fora somada a muitas outras, visto que o relacionamento dos seus pais era muito conturbado, mesmo sendo eles pessoas ativas na igreja, ela me relatou do choque que tomou ao ver por acaso no celular do seu pai os sites que eles estava acessando, me falou do quanto estava sendo difícil olhar nos olhos de seu pai, o problema estava dominando o coração daquela filha, mas seu pai não sabia que ela havia descoberto e sofria com aquilo, ela agora tinha dificuldade até de ser tocada por ele, ficou muito tempo guardando aquele segredo e todo o tempo que guardou sofreu sozinha, não conseguia ser constante em sua vida com Deus, tinha dificuldades nos relacionamentos, seus sentimentos estavam em conflito, muitas coisas passavam em sua cabeça, inclusive o sentimento de culpa, pois ela se culpava pelos problemas no relacionamento dos pais, ela se sentia a culpada pela insistência deles em permanecerem casados, pois eram infelizes dentro de casa, e isso a levou a se ferir, tudo indicava um quadro de depressão que só se agravava a cada dia.
 Muitos jovens passam pelo mesmo processo, muitos continuam guardando esses sentimentos, essa culpa, vivem diariamente essa pressão em suas mentes, sofrendo sozinhos, não se sentem capazes de argumentar e falar para os pais o que está sentindo e o quanto a atitudes deles o está deixando doente, pensam que só vão acrescentar mais problemas aos muitos já existentes.
 Irritar os filhos aqui, sugere algumas coisas, de acordo com uma pequena pesquisa que fiz, entendi que significa suscitar a ira, danificar, fazer mau afetado, amargar; é como se o pai derramasse dentro do filho sentimentos, afetos, mas tudo isso negativo e que resultará na perda da razão e da sensibilidade familiar.
 Quando a Bíblia diz aos pais para não irritarem seus filhos, é para que seus filhos não sejam dominados por este sentimento, como agirá um filho irritado e desanimado, este filho se rebelará contra tudo e todos, inclusive contra si mesmo, este filho apresentará desânimo nos estudos, na sua vida espiritual, na família, nas amizades e infelizmente pela própria vida. Mais uma vez eu pergunto a você pai/mãe que está lendo este texto, como está seu relacionamento com seu filho?
 Os filhos têm buscado preencher essa falta de afetividade que há em casa em muitos relacionamentos, na sua grande maioria relacionamentos precipitados e destrutivos, ao se tornarem reféns de uma tortura constante na alma por estarem convivendo com conflitos intermináveis dentro de seus lares.

Você ama ter seu ou seus filhos(a)? É feliz por isso? Você ama seus filhos(a)? Como seu filho(a) reage a esse amor?

 "Este é o meu filho amado em quem eu tenho prazer."(Mt 3.17)

 Não podemos nos esquivar da responsabilidade que temos de treinar nossos filhos para os desafios da vida, essa é uma missão dada a todos os pais, este treinamento é composto por algumas coisas, vou destacar duas: Instrução e afeto.
Instrução, através de conselhos e exemplo nas atitudes.

 "Ensina o menino no caminho que ele deve andar, para que quando crescer nunca se desvie dele. (Pv 22.6)"
 Aqui temos a missão e a motivação dos pais para que possa cumprir a missão de treinar seus filhos, temos também a responsabilidade que é intransferível. Nossa motivação deve ser essa, "vou treinar meus filhos e eles nunca se desviarão do caminho de Deus", isso exige excelência no ensino, valorização da missão como prioridade para sua vida e investimento, que é feito de diversas formas, financeiro, tempo (acompanhamento contínuo), pois como ensinarei no caminho, se nunca tenho tempo de estar no caminho com ele?
 Afetividade.
 O capítulo 1 de romanos diz que  os homens quando deixaram de seguir aos princípios do Criador desde o primeiro casal, eles escolheram o caminho do pecado e nesta lista que descreve muitos pecados vamos destacar um, talvez na lista não pareça ser tão grave quanto os outros e por isso pareça inofensivo, só que analisando com essa diligência vamos entender que este mal atinge as bases da família e consequentemente as bases da sociedade, a bíblia diz que os homens perderiam o afeto natural.

  "Néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, irreconciliáveis, sem misericórdia; (Rm 1.31)."

 Nossos filhos precisam nos olhar como mestres, não como os professores que conhecemos no nosso mundo moderno, mestres que além da instrução oral e teórica, ensinam com as atitudes, em toda a sua maneira de viver, mestres que também estão cheios de amor, um professor moderno tem a missão de ensinar, mas não tem obrigação nenhuma de se envolver dessa maneira paternal e afetiva com os alunos, nossos filhos precisam ser preenchidos pelo amor dos pais, assim ele será um filho preparado para os desafios da vida, ele buscará seguir nossos passos, pois toda a instrução foi passada não apenas na teoria, foi também na prática e no amor.
 Certa vez estava conversando com minha filha sobre algumas atitudes egoístas que ela estava tendo, estava explicando sobre esse defeito de fabricação que todos nós termos ao nascer, herança de Adão, o tal egocentrismo, então chegou uma hora que eu perguntei pra ela o que ela mais gostava em mim? O que ela via que era a melhor característica em mim? Ela me respondeu algo que me surpreendeu, ela disse, "papai, o que eu mais gosto em você é o amor", eu perguntei se era o amor que eu oferecia a ela, ela disse "não papai, o amor que você oferece a todos", eu me surpreendi, pois ali eu vi o quanto minha filha me observa e que isso não se limitava ao que eu fazia pra ela ou dentro de casa, esse amor não se limita aos momentos que estou em uma plataforma com um microfone nas mãos, mas na forma como eu trato as pessoas em todos os momentos, nossos filhos não podem aprender só ouvindo, isso faria de nós pais como esses professores modernos, nós precisamos nos esforçar para ser mestres à moda antiga, nossos filhos precisam aprender o amor por nós, aprender a amar a Deus sobre todas as coisas e semelhantemente ao próximo.
 Nossos filhos precisam ouvir de nós aquilo que Jesus ouviu do Pai no dia do batismo, o que Jesus fez naquele dia ao se batizar foi dar mais um passo em direção ao propósito, a voz do Pai disse que tinha prazer nele, precisamos mostrar para nossos filhos o quanto sentimos prazer e o quanto nos alegramos neles quando tomam decisões corretas, quando agem corretamente, quando dão passos em direção ao cumprimento dos propósitos de Deus na vida deles, no momento da tentação de Jesus, Ele estava pronto para responder todas as propostas de satanás, Jesus também tinha algo que o fortalecia, o pensamento e a certeza que preenchia seu coração, a certeza de que tinha um pai que tinha prazer na vida dEle, que se orgulhava pelas decisões e atitudes que seu Filho tomava, sendo assim, qualquer filho vai pensar muitas vezes antes de aceitar as propostas do pecado, pois ele vai tentar com todas as suas forças não decepcionar aquele pai que o encheu de amor e que tem prazer nele, certamente fazer aquilo que é certo para esse filho não será um peso e sim um prazer, assim como ele sabe que o Pai tem prazer nele.
 Isso não pode ser negligenciado, nem podemos deixar de dar a devida importância para isso, pois ao faltarmos com essa afetividade, com toda certeza os filhos vão buscar em outro lugar e de muitas formas possíveis preencher essa lacuna.
 Os filhos.
 Não são poucos os filhos que buscam nas drogas ou em um relacionamento conturbado ou até mesmo homoafetivo, acaba que mesmo que inconscientemente os filhos começam a fazer esse tipo de coisas para que possam chamar a atenção de seus pais para si, mas agora de uma forma punitiva, pois não só vão chamar a atenção para que assumam a responsabilidade, mas na cabeça desse jovem ferido, esses pais precisam sentir a dor da culpa pela ausência sofrida.
 Temos um exemplo disso na Palavra, quando Davi fugia de Saul, este já tinha esposas e filhos, Davi sempre esteve envolvido em muitas batalhas, sendo assim ele deixou de estar junto com sua família em momentos muito importantes, momentos esses que poderiam tê-lo feito perder tudo, este texto que me refiro está escrito em 1Sm 30.1-20, neste texto observamos a ausência de Davi em um período que seu lar foi atacado pelo amalequitas, neste momento Davi estava junto aos generais filisteus se aprontando para guerrear ao lado deles contra o povo de Israel, povo que Deus o havia escolhido para reinar sobre ele, ou seja, essa guerra não era de Davi e nem fazia sentido Davi estar ali. O que me chama a atenção também nesse texto são as esposas que são citadas neste momento, Ainoã e Abgail (1Sm 30.5), Ainoã era a mãe do primeiro filho de Davi, este filho se chama Amnom e tudo indica que neste momento terrível da história de Davi, Amnom estava entre aqueles que foram levados cativos pelos amalequitas, o texto completo vai mostrar Davi recuperando suas família, isso nos inspira muito nas pregações que ouvimos referente a essa palavra, sempre ouvimos a mesma aplicação, que não devemos priorizar outras coisas, que precisamos cuidar e proteger a nossa família antes que seja tarde, mas há um problema na nossa geração, talvez já houvesse na geração passada, nós pregamos isso, nós ouvimos isso, mas nós não colocamos isso em prática na nossa vida, foi lindo como Davi recuperou a família, foi lindo como ele correu atrás do prejuízo, mas depois de ter novamente a família sob seu "controle", vemos o que aconteceu com esse filho que vamos usar como exemplo para o entendimento do assunto deste texto.
 Em 2Sm 13 nos conta que este filho chamado Amnom, o primogênito de Davi, ele agora tem irmão e irmã, essa irmã é Tamar, Tamar e Absalão são irmãos de Amnom, mas com outra mãe, porém Amnom se apaixona por Tamar e isso o deixa muito deprimido, pois sabe que isso não é certo, Amnom é encorajado por um amigo a mentir para seu pai, com essa mentira Amnom leva Tamar para dentro de sua casa e abusa sexualmente de sua meia irmã, após esse ato ele a joga na rua e fecha a porta na face de Tamar, Absalão a encontra e a leva para casa para cuidar dela.
 Aqui nós temos um problema catastrófico, temos uma situação que exige com urgência a atenção dos pais e que se faz necessário parar tudo o que se está fazendo para resolvê-la, vamos ver o que Davi fez e a partir da atitude o que aconteceu.

 2 Samuel 13: 21. E, ouvindo o rei Davi todas estas coisas, muito se lhe acendeu a ira.
 22. Porém Absalão não falou com Amnom, nem mal nem bem; porque Absalão odiava a Amnom, por ter forçado a Tamar sua irmã.
 
 Temos aqui um relato deixado referente ao que Davi fez após saber do ocorrido, a bíblia diz que Davi ficou irado, mas nada fez, não falou com Amnom, não procurou Tamar para conversar, o Pai soube que sua filha, sua princesa que ainda era virgem foi violentada e não tomou nenhuma atitude. Precisamos colocar luz neste fato, pois a omissão dos pais referente aos problemas dos filhos é um erro muito grave, faço diversas palestras e ministrações para jovens e sempre estou diante de jovens muito feridos por alguns acontecimentos em sua vida, mas não só isso, eles estão muito feridos por conta da omissão de seus pais ao saberem, ou observarem que não estão bem e nada fazerem para cuidar e protegê-los. Isso irrita e causa desânimo nos filhos, como diz o texto de Cl 3.21. Davi tinha muitos problemas sérios para resolver, tenho certeza disso, problemas que exigiam sua atenção, pois um único erro poderia gerar uma guerra, problemas referentes a economia da nação, dentre tantas outras coisas, mas será que isso diminui ou coloca em segundo plano o projeto família? Será que julgamos importante as coisas referente ao nosso trabalho e ao nosso ministério, mas não damos a devida importância aquilo que é importante para nossos filhos, a apresentação da escola, os seus deveres de casa, o discipulado que ele precisa receber em casa, será que estou tão comprometido com minhas agendas e tantos púlpitos de igrejas que não tenho tempo para contar aquela história bíblica para meu filho? Será que se pesar em uma balança, o que estaria serlndo mais valorizado por mim?
 Ao não se pronunciar sobre o caso de Amnom com Tamar, Absalão mais tarde armou um plano e matou o próprio irmão

 1 Reis 1: 6. E nunca seu pai o tinha contrariado, dizendo: Por que fizeste assim? E era ele também muito formoso de parecer; e Hagite o tivera depois de Absalão.
 Essa ausência e omissão de Davi deu aos seus filhos liberdade, nós pais precisamos entender que esse espaço que damos aos nossos filhos fornece uma liberdade negativa e destrutiva, essa ausência será sentida de diversas formas, ao correr atrás do prejuízo no passado, Davi livrou sua família de serem escravos dos amalequitas, agora seus filhos são escravos de sentimentos e de idéias que poderiam ser evitadas se recebessem o devido cuidado e instrução, Davi foi um ótimo rei, um homem segundo o coração de Deus, mas Davi teve um ponto negativo em sua biografia, ponto esse que foi gritante no desenvolvimento de sua posteridade. Ao não se pronunciar no caso de Tamar e ao nunca se pronunciar referente a Adonias revela-se uma característica comum dos pais modernos, muitas coisas estão acontecendo na vida dos filhos, com o avanço tecnológico da internet, nossos filhos com seus tablets e celulares estão tendo acesso a muitas informações e conteúdos, tem pais que usam esses aparelhos como meio de ocuparem seus filhos, e sem perceberem estão em muitos casos com adolescentes viciados em sites pornográficos, se relacionando com pessoas desconhecidas em redes sociais, isso dentro de casa, já fora de casa estão saindo para festas com os amigos da escola, fumando, se embriagando e prostituindo, mas isso não tem recebido a atenção devida ou não é comum os pais conversarem com seus filhos. Temos filhos e filhas que começam a namorar e deixam suas responsabilidades com Deus de lado, se afastam da igreja, mantém um relacionamento muito superficial com a igreja, diminuem a atenção para os estudos, na maioria desses casos os pais sabem que alguma coisa tirou seus filhos do caminho, não se sentem com a coragem necessária para perguntar se seu filho está com uma vida sexual ativa, ou está fazendo algo incomum, outro grande problema, é que o desvio dos filhos para o mundo, para as drogas, para a homoafetividade causa despertamento, preocupação, comoção e tristeza profunda na vida dos pais e uma reação imediata assim como Davi que chorou, buscou a Deus por que tinha perdido seus familiares, eles não estavam onde seus olhos pudessem enxergar, então buscou a Deus, correu atrás do prejuízo, mas agora, seus filhos estavam se perdendo dentro da sua casa, então não houve a mesma comoção, não houve a mesma busca. Da mesma forma hoje acontece, os pais que perdem seus filhos para o mundo de forma escandalosa, esses sofrem e reagem de alguma maneira, mas quando mantém seus filhos indo pra igreja (às vezes), convivendo em casa vêem televisão juntos, comem juntos, mas no fundo sabem que seus filhos estão sendo levados cativos todos os dias por algumas coisas, alguns pais cometem o erro da omissão ao não falarem, ou por não verem isso como importante, outros dizem "meu filho precisa saber decidir o que é o certo e o errado, ele já não é mais uma criança", ou simplesmente não conseguem falar com eles sobre o que sentem, pois não tem intimidade suficiente para isso, a ausência foi tão grande que seu filho passou a ter mais intimidade com um amigo do que com os pais.
 Talvez pai/mãe você esteja lendo esse texto e isso tenha te trazido um despertamento para a seriedade do assunto, talvez você já esteja vivendo realmente as consequências das ausências e das omissões e não sabe o que fazer, eu quero lhe dizer algo meu amado leitor, corra atrás do seu prejuízo, mas faça isso já, não espere sua família ser levada cativa para longe, não se conforme com um relacionamento superficial com seus filhos, onde você sabe que dentro de casa eles estão se prendendo à cadeias espirituais todos os dias, reaja, e faça isso agora, invista tempo, dinheiro, se doe completamente por essa missão que te foi confiada, entenda que o maior referencial para esse filho ou filha não é o artista famoso, o maior referencial de homem e mulher de Deus não é o pastor ou a irmãzinha de oração, mas os pais dele.
 Ou quem sabe você seja um filho, talvez nasceu e seus pais já eram evangélicos, tenha alguns conflitos em seu coração, algumas mágoas guardadas referente à religião, ao serviço prestado ao longo dos anos pelos seus pais à igreja, talvez você tenha dificuldade de acreditar em um evangelho de transformação, pois nunca viu isso na sua casa, pelo contrário, sempre testemunhou a hipocrisia, são tantas coisas que passam na cabeça de um jovem, principalmente filhos de pastores e oficiais da igreja, são tantas pressões, mas queria lhe dizer algo, talvez isso nunca tenha sido entendido por você, e essa pode ser uma das, ou a principal causa de todos os seus conflitos internos, talvez você nunca entendeu que Deus ao chamar seus pais, Ele chamou toda a sua família, pelo menos naquele tempo específico, onde você sendo dependente de seus pais, deveria estar sempre com eles, claro que algumas coisas precisam ser feitas com muito equilíbrio e nós tratamos disso aqui nesse texto, que os pais devem ter cuidado no desenvolvimento dos filhos, tomar cuidado com os dias e os horários investidos na obra e na família, porém o que pode ter trazido mais tristeza no seu coração é o fato de você mesmo não entender o quanto você faz parte de todo o projeto de Deus na vida dos seus pais, talvez você aprendeu muitas maneiras de servir a Deus na obra, mas não tenha aprendido a amar a Deus sobre todas as coisas, pois quando isso acontece já na nossa infância, temos o outro exemplo de filhos de cristãos, que são aqueles que não sofrem e nem vivem em constantes conflitos como os filhos que foram descritos no texto, esses filhos que estão felizes por estarem na obra junto com os pais, aprenderam a amar a Deus sobre todas as coisas, eles não somente estavam com seus pais quando eram crianças, eles mesmos quando chegaram na idade adulta decidiram seguir o mesmo caminho, isso serve também para os filhos de missionários, quando amamos a Deus sobre todas as coisas, amamos a Deus sobre o nosso "eu", o nosso prazer, o nosso gosto, passamos a ter prazer nos planos dele e não nos nossos, às vezes temos até que renunciar coisas, pessoas e lugares, mas fazemos isso com alegria, pois fazemos movidos pelo amor que aprendemos a devotar à Deus.
 Mas quem sabe você já seja um jovem que entrou pelas vias de fato, iniciou o caminho da rebeldia, quem sabe tenha se rebelado contra seus pais, contra si mesmo e claro, contra Deus, quem sabe seus dias só servem para respirar ódio contra a igreja e quem faz parte dela, eu entendo o que você sente e você também precisa entender, algumas atitudes são tomadas por você movidas apenas pelas emoções, pelo desejo de punir pessoas, ainda que seja na consciência delas, ao se sabotar fazendo coisas erradas, ao expor exatamente o que sabe que vai ferir a alma de seus pais, de seus líderes espirituais você mesmo não consegue perceber que perdeu o controle da sua vida, quem te move são as emoções que foram despejadas em você como uma toxina. Mas quero lhe falar algo filho(a), o Pai do Céu te ama, e deseja fazer como aquele pai do filho pródigo, Ele deseja te limpar, te desintoxicar de todos esses sentimentos, te limpar e celebrar o seu retorno à casa do Pai. Como pai posso te assegurar que fico triste todas as vezes que minha filha faz algo errado, mas nunca deixo ou simplesmente diminuo meu amor por ela, esse caminho de oposição aos seus pais e a Deus e sua obra não é o único que lhe resta, deixe que o Espírito de Deus entre e te cure, permita ser tratado pelo amor poderoso de Jesus que nos constrange.
 Espero que você possa refletir nisso, lutar pela sua família, valorizar esse bem tão precioso que Deus nos deu.

#PenseNisso
#DeusTeAbemçoe
 
 
 
 

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Resistindo às propostas, fiel até a morte.

1 Reis 21: 1. Algum tempo depois houve um incidente envolvendo uma vinha que pertencia a Nabote, de Jezreel. A vinha ficava em Jezreel, ao lado do palácio de Acabe, rei de Samaria.
 2. Acabe tinha dito a Nabote: "Dê-me a sua vinha para eu usar como horta, já que fica ao lado do meu palácio. Em troca eu lhe darei uma vinha melhor ou, se preferir, eu lhe pagarei, seja qual for o seu valor".
 3. Nabote, contudo, respondeu: "O SENHOR me livre de dar a ti a herança dos meus pais! "
 
 Estamos diante de uma história muito conhecida que revela duas características que se opõem dentro da sociedade, e digo em todas as épocas desde que o pecado passou a estar enraizado na vida do homem, a sensação de insatisfação e o desejo de possuir mais, as vezes até o que o que é do outro. Este é um dos pecados que aparece no decálogo:
"não cobiçarás a mulher ou o bem, os animais ou os servos do teu próximo, nem coisa alguma que lhe pertença. Ex 20.17"
Deus revela neste mandamento o quanto essa cobiça pode ser destrutiva, Moisés havia deixado bem claro que a herança deveria ser deixada para os filhos ou filhas, não tendo filhos, os parentes próximos.
Números 27: 8. "Diga aos israelitas: Se um homem morrer e não deixar filho, transfiram a sua herança para a sua filha.
 9. Se ele não tiver filha, dêem a sua herança aos irmãos dele.
 10. Se não tiver irmãos, dêem-na aos irmãos de seu pai.
 11. Se ainda seu pai não tiver irmãos, dêem a herança ao parente mais próximo em seu clã". Esta será uma exigência legal para os israelitas, como o Senhor ordenou a Moisés.
 Fica claro que não se fazia negócios com a herança, somente em casos de extrema necessidade para a subsistência da família, poderia ser vendida a herança (terras), mas esta seria devolvida à família no ano do Jubileu.
 Levítico 25: 23. "A terra não poderá ser vendida definitivamente, porque ela é minha, e vocês são apenas estrangeiros e imigrantes.
 24. Em toda terra em que tiverem propriedade, concedam o direito de resgate da terra.
 25. "Se alguém do seu povo empobrecer e vender parte da sua propriedade, seu parente mais próximo virá e resgatará aquilo que o seu compatriota vendeu.
 26. Se, contudo, um homem não tiver quem lhe resgate a terra, mas ele mesmo prosperar e adquirir recursos para resgatá-la,
 27. calculará os anos desde que a vendeu e devolverá a diferença àquele a quem a vendeu; então poderá voltar para a sua propriedade.
 28. Mas, se não adquirir recursos para devolver-lhe o valor, a propriedade que vendeu permanecerá em posse do comprador até o ano do jubileu. Será devolvida no Jubileu, e ele então poderá voltar para a sua propriedade.
 A terra pertence a Deus, esta mesma terra foi conquistada através de muitas guerras, após essa conquista a terra foi repartida ao povo, essa herança (terra) não foi adquirida com dinheiro, ouro ou prata, foi com o preço de sangue de muitos soldados do povo de Israel, inclusive ancestrais daquela família que está de posse de uma propriedade, negociar a herança era o mesmo que desconsiderar a luta e o sacrifício antes feito para obter a terra, e claro, era desobedecer uma exigência legal da Lei.
 Na história de Nabote, Acabe e Jezabel temos uma herança material e terrena, mas nós como igreja aplicaremos na nossa vida este fato de forma espiritual e eterna, a bíblia diz que a partir da salvação em Cristo nos tornamos participantes da herança de Deus, certamente teremos muitas propostas para negociarmos essa herança.
 Ao olharmos o perfil de Nabote, visualizamos um homem temente a Deus e fiel aos seus mandamentos e que prezava pela herança da sua família, porém sua terra ficava ao lado das terras do rei, penso que não era fácil ter Acabe e Jezabel como vizinhos, acredito que ter a chance de morar em outro lugar não seria uma má idéia para Nabote, só que este não estava ali pela falta de recursos para sair, ele estava ali, pois estava "preso" à herança que lhe foi deixada.

 Você gostaria de melhorar de vida? Trocar de casa? De bairro? Gostaria de ter um carro? Melhor, gostaria de trocar o que você tem por um zero km, um carro bem sofisticado?

 Creio que todos nós queremos mudar de vida, queremos "prosperar", e quando eu olho para essa história, vejo um homem que recebe uma grande proposta para mudar sua vida completamente e não apenas isso, a proposta vem com as palavras que todos nós gostaríamos de ouvir, "darei uma melhor", ou "darei o preço que for", a proposta é de te fazer sair no lucro de todas as maneiras, essa proposta não é fácil de ser rejeitada, ela é irresistível.
 Como renunciar algo assim?
 Primeiro, nós precisamos estar satisfeitos com o que temos, precisamos realmente questionar se aquilo que alguém diz ser melhor, é de fato melhor para nós, o que leva Acabe a transgredir o mandamento de não cobiçar o bem alheio é exatamente a sensação de não estar satisfeito com o que tem, é querer se apossar de uma terra que a Lei diz não poder, essa insatisfação no coração do homem o levará a negociar o inegociável.
 Creio que a herança deixada a Nabote não foi apenas a terra, mas a forma de trabalhar naquela terra, era comum um pai ensinar sua profissão ao seu filho, posso conjecturar a possibilidade de Nabote ter aprendido desde bem pequeno o cultivo das uvas, plantar uva talvez era o prazer de sua pai, quem sabe de seu avô, e isso foi passando de geração à geração, isso também foi deixado em forma de herança. Dentro da proposta de Acabe visualizamos algo, a terra que Nabote só pode enxergar como vinha, Acabe enxerga uma horta, são coisas completamente distintas e isso mudaria completamente a terra. Nabote está recebendo uma proposta de algo melhor, ou um valor que ele mesmo estipular, porém está diante de alguém que vai transformar completamente a herança que lhe foi deixada e confiada.
 Segundo, nós precisamos valorizar a herança não porque não temos "algo melhor" em vista, mas porque essa herança tem um valor do sangue daqueles que lutaram para conquistá-la, daqueles que trabalharam para cultivar os frutos que hoje apenas damos continuidade no cultivo.
 Terceiro, não abriremos mão dos princípios e valores por aquilo que nos é proposto como melhor.
 Trazendo para a nossa realidade, a vida que Cristo nos deu, essa herança espiritual e eterna tem um valor inegociável, pois isso nos foi dado pelo preço do próprio sangue de Cristo, se isso não for entendido por nós, não seremos preenchidos e teremos ainda ambições de possuir coisas para sanar este desejo que faz parte da humanidade caída, este desejo nos levará a correr atrás de coisas e negociarmos valores que são inegociáveis.
 Jesus foi tentado por propostas semelhantes a essa de Nabote, satanás tenta o Senhor após jejuar quarenta dias.
 Mateus 4: 1. Então Jesus foi levado pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo.
 2. Depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, teve fome.
 3. O tentador aproximou-se dele e disse: "Se você é o Filho de Deus, mande que estas pedras se transformem em pães".
 4. Jesus respondeu: "Está escrito: ‘Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus’".
 5. Então o diabo o levou à cidade santa, colocou-o na parte mais alta do templo e lhe disse:
 6. "Se você é o Filho de Deus, jogue-se daqui para baixo. Pois está escrito: ‘Ele dará ordens a seus anjos a seu respeito, e com as mãos eles o segurarão, para que você não tropece em alguma pedra’".
 7. Jesus lhe respondeu: "Também está escrito: ‘Não ponha à prova o Senhor, o seu Deus’".
 8. Depois, o diabo o levou a um monte muito alto e mostrou-lhe todos os reinos do mundo e o seu esplendor.
 9. E lhe disse: "Tudo isto lhe darei, se você se prostrar e me adorar".
 10. Jesus lhe disse: "Retire-se, Satanás! Pois está escrito: ‘Adore o Senhor, o seu Deus e só a ele preste culto’".
 As propostas de satanás são muito astutas, nunca nos chega com sinais de prejuízo, neste texto de Mateus ao tentar ao Senhor, as propostas não vêm com o peso de que aceitando o faria não se sentir filho de Deus, pelo contrário, "faça o que eu estou lhe propondo se você é filhos de Deus", as propostas do diabo para nós sempre nos vêm de forma que sejamos enganados ao acreditar que estamos "prosperando", podemos estar acreditando que somos filhos de Deus e ao mesmo tempo aceitando as propostas do inimigo.
 Poderíamos pensar em um outro tipo de Nabote, por exemplo, alguém que só estava ali cultivando aquela vinha porque não existia outra possibilidade, pois se houvesse, ele a deixaria por algo melhor. O progresso de algumas pessoas, o "sucesso" profissional, ministerial, até mesmo nos relacionamentos, precisam ser olhados com muito cuidado por quem está de fora, talvez quem conheceu dentro dessa nossa conjectura alguém como um outro tipo de Nabote, poderia dizer ao vê-lo em uma vinha melhor, "que benção Nabote, você está muito bem agora!", ou quem sabe, "que vinha grande e linda Nabote, nem se compara com a primeira!". Mas essas mesmas pessoas que estão vendo a "prosperidade" deste outro Nabote não sabem o que foi preciso abrir mão para obter tal coisa.
  Por uma paixão se abre mão da comunhão com Deus, por uma paixão jovens entram em relacionamentos em jugos desiguais, por estas mesmas paixões deixam seus lugares no altar, deixam seus ministérios, deixam de se assentar na mesa da ceia, por uma paixão homens abrem mão de suas esposas e esposas de seus maridos, algumas vezes conseguem convencer a todos de que agora estão muito melhores, e se não tomamos cuidado, concordamos, dizemos "realmente essa vinha nem se compara a antiga Nabote, ótimo negócio o que você fez!". Mas fica claro neste texto que a vinha pertencente a Nabote era inferior a que foi oferecida na proposta, mas era a herança, e herança não se negocia.
 Tem algo na resposta de Nabote que me deixa impactado, ele poderia apenas dizer que não iria negociar a herança, que aquilo era contra a Lei, era contra princípios e valores que ele defendia e pronto, mas Nabote expressa a fraqueza e a Fortaleza dos homens diante das propostas de satanás.
3. Nabote, contudo, respondeu: "O SENHOR me livre de dar a ti a herança dos meus pais! "
 Com essas palavras Nabote deixa claro que não é simples renunciar uma proposta dessa? Quem não quer melhorar de vida, quem não quer enriquecer? Isso toca a maior fraqueza existente em nós, o desejo de ter, ter mais, todos nós somos tentados para ter algo a mais, para termos vantagens, para sairmos no lucro, a sensação de prazer revela o egocentrismo do homem, o quanto pensa só em si mesmo, Nabote poderia pensar, "agora quem decide sou eu, não tenho meu pai, ou meu avô aqui para me reprimir", é assim que pensamos todas as vezes que cedemos às propostas do adversário, não aceitamos um convite para o inferno, aceitamos um convite para algo que nos promove ao prazer, é assim que negociamos princípios e valores. São casas compradas com dinheiro de corrupção, são carros, são impostos sonegados, são contribuições de procedência duvidosa. Hoje vemos algumas igrejas superlotadas, não que haja algo de ruim nisso, mas algumas delas abriram mão de princípios e valores, se tornaram permissivas a algumas práticas antes reprovadas e por isso se tornaram tão atrativas ao público, vemos mega igrejas, templos luxuosos, mas também vemos com clareza como se tratam as questões financeiras, como se aproveitam da boa fé das pessoas com formas de arrecadar para si valores. Nem sempre vamos enxergar a quebra de valores, pois essa conversa Acabe faz com Nabote em baixo tom, sentados em uma mesa de jantar, a quebra desses valores morais e porque não dizer, santos, são feito nos bastidores, tudo o que nós podemos ver é a nova e grande vinha de Nabote.
 Quando Nabote diz, "o Senhor me livre de dar a vinha de meus pais", ele reconhece que somente Deus pode ajudá-lo a vencer essa tentação, e que não aceitar isso é um livramento, é fácil pensar que é um livramento para o homem casado aquela mulher de corpo escultural lhe propondo um encontro, mas não é só nisso que se resume as propostas do inimigo, fica mais difícil pensar em outras situações, precisamos identificar algumas "vitórias" que são testemunhadas, pois talvez não sejam vitórias aos olhos de Deus.
 Existiu um rei na história chamado Pirro, este rei deixou uma frase gravada até nossos dias, este rei era grego e lutou contra o exército romano, Pirro venceu algumas batalhas, mas nestas batalhas vencidas perdia muitos soldados, enquanto os romanos se multiplicavam como gafanhotos ainda que perdendo.

Vitória pírrica ou vitória de Pirro é uma expressão utilizada para se referir a uma vitória obtida a alto preço, potencialmente acarretadora de prejuízos irreparáveis.

A expressão recebeu o nome do rei Pirro do Epiro, cujo exército havia sofrido perdas irreparáveis após derrotar os romanos na Batalha de Heracleia, em 280 a.C., e na Batalha de Ásculo, em 279 a.C., durante a Guerra Pírrica. (Wikipedia)

 Pirro disse em seu famoso relatório: "Se formos vitoriosos em mais uma batalha contra os romanos nós estaremos totalmente em ruínas".
 Vitórias de Pirro são todas aquelas que nos fazem perder quando nos sentimos vencendo, parece meio paradoxal isso, mas é como eu disse já no texto, é ganhar funções elevadas, mas através de mentiras, é ser vitorioso na terra e perder a comunhão com Deus, é viver um grande amor em detrimento a um casamento destruído, existem vitórias obtidas que precisam ser repensadas por nós, pois ao olharmos para a vida de Nabote, podemos perguntar, "o que Nabote ganhou não trocando ou vendendo sua vinha?". A única coisa que poderemos dizer é que Nabote não ganhou nada na terra, na verdade, ganhou perseguição, calúnia, e execução, na terra ele sofreu um baita prejuízo, mas tenho certeza que diante de Deus Nabote ganhou tudo. Jezabel havia mandado matar muitos profetas, e de fato muitos haviam morrido, mas foi na morte de Nabote que o Senhor se levanta e ordena juízo sobre Acabe e Jezabel:
 1 Reis 21: 16. Quando Acabe ouviu que Nabote estava morto, levantou-se e foi tomar posse da vinha.
 17. Então a palavra do Senhor veio ao tesbita Elias:
 18. "Vá encontrar-se com Acabe, o rei de Israel, que reina em Samaria. Agora ele está na vinha de Nabote para tomar posse dela.
 19. Diga-lhe: Assim diz o Senhor: Você assassinou um homem e ainda se apossou de sua propriedade? E acrescentou: Assim diz o Senhor: No local onde os cães lamberam o sangue de Nabote, lamberão também o seu sangue; isso mesmo, o seu sangue! "
 20. Acabe disse a Elias: "Então você me encontrou, meu inimigo! " "Eu o encontrei", ele respondeu, "porque você se vendeu para fazer o que o Senhor reprova.
 21. ‘Vou trazer desgraça sobre você. Devorarei os seus descendentes e eliminarei da sua família todos os do sexo masculino em Israel, sejam escravos ou livres.
 22. Farei à sua família o que fiz à de Jeroboão, filho de Nebate, e à de Baasa, filho de Aías, pois você provocou a minha ira e fez Israel pecar. ’
 23. "E, acerca de Jezabel, o Senhor diz: ‘Os cães devorarão Jezabel junto ao muro de Jezreel’.
 24. "Os que pertencem a Acabe e que morrerem na cidade os cães comerão, e as aves do céu se alimentarão dos que morrerem no campo".
 Se não somos preenchidos com aquilo que é eterno, sendo fiéis ao Senhor guardando seus mandamentos, não abrindo mão de princípios e valores, facilmente negociaremos a nossa herança, principalmente quando olharmos e observarmos que na defesa desses princípios e valores sofreremos prejuízos, que Deus nos guarde e nos livre de cometer esse mal, que Deus nos livre de nós mesmos, pois ainda muitas propostas virão, mas em nome de Jesus permaneceremos fiéis até a morte.

#PenseNisso
#DeuszteAbençoe


domingo, 9 de junho de 2019

Vida cristã ou religiosidade?

        

 Lucas 15: 11. Jesus continuou: "Um homem tinha dois filhos.
 12. O mais novo disse ao seu pai: ‘Pai, quero a minha parte da herança’. Assim, ele repartiu sua propriedade entre eles.
 13. "Não muito tempo depois, o filho mais novo reuniu tudo o que tinha, e foi para uma região distante; e lá desperdiçou os seus bens vivendo irresponsavelmente.
 14. Depois de ter gasto tudo, houve uma grande fome em toda aquela região, e ele começou a passar necessidade.
 15. Por isso foi empregar-se com um dos cidadãos daquela região, que o mandou para o seu campo a fim de cuidar de porcos.
 16. Ele desejava encher o estômago com as vagens de alfarrobeira que os porcos comiam, mas ninguém lhe dava nada.
 17. "Caindo em si, ele disse: ‘Quantos empregados de meu pai têm comida de sobra, e eu aqui, morrendo de fome!
 18. Eu me porei a caminho e voltarei para meu pai, e lhe direi: Pai, pequei contra o céu e contra ti.
 19. Não sou mais digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus empregados’.
 20. A seguir, levantou-se e foi para seu pai. "Estando ainda longe, seu pai o viu e, cheio de compaixão, correu para seu filho, e o abraçou e beijou.
 21. "O filho lhe disse: ‘Pai, pequei contra o céu e contra ti. Não sou mais digno de ser chamado teu filho’.
 22. "Mas o pai disse aos seus servos: ‘Depressa! Tragam a melhor roupa e vistam nele. Coloquem um anel em seu dedo e calçados em seus pés.
 23. Tragam o novilho gordo e matem-no. Vamos fazer uma festa e comemorar.
 24. Pois este meu filho estava morto e voltou à vida; estava perdido e foi achado’. E começaram a festejar.
 25. "Enquanto isso, o filho mais velho estava no campo. Quando se aproximou da casa, ouviu a música e a dança.
 26. Então chamou um dos servos e perguntou-lhe o que estava acontecendo.
 27. Este lhe respondeu: ‘Seu irmão voltou, e seu pai matou o novilho gordo, porque o recebeu de volta são e salvo’.
 28. "O filho mais velho encheu-se de ira, e não quis entrar. Então seu pai saiu e insistiu com ele.
 29. Mas ele respondeu ao seu pai: ‘Olha! todos esses anos tenho trabalhado como um escravo ao teu serviço e nunca desobedeci às tuas ordens. Mas tu nunca me deste nem um cabrito para eu festejar com os meus amigos.
 30. Mas quando volta para casa esse seu filho, que esbanjou os teus bens com as prostitutas, matas o novilho gordo para ele! ’
 31. "Disse o pai: ‘Meu filho, você está sempre comigo, e tudo o que tenho é seu.
 32. Mas nós tínhamos que comemorar e alegrar-nos, porque este seu irmão estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi achado’ ".

 Estamos diante de um texto muito conhecido, trata-se de uma das mais famosas parábolas de Jesus, uma história que já alcançou muitas pessoas através de pregações, canções, encenações, enfim, de todas as formas que foram possíveis, essa história já abençoou muitas pessoas com sua mensagem de amor e restauração.
 Com este texto gostaria de junto com você meu amigo leitor, mergulhar mais fundo nesta história, mas agora dando essa ênfase na questão do cristianismo, dentro de sua proposta no evangelho e da religiosidade, tanto a judaica, como a moralidade religiosa como um todo, não se prendendo apenas aos princípios e valores cristãos, mas também entendendo que outras religiões preservam seus valores morais e consequentemente vão transformando pessoas a viverem uma vida moralmente correta diante da sociedade.
 Olhamos para o filho mais novo, sua atitude em pedir sua herança quando ainda estava vivo o seu pai, vemos a precipitação de um jovem que quer conhecer o mundo lá fora, que gasta tudo o que tem de forma desordenada e que no fundo do poço deseja comer a própria comida dos portos que tomava conta, até que lembra da casa do Pai, cai em si e volta arrependido. Para muitos este é o filho perdido, mas ao analisar todo o texto dentro do contexto, entendemos que Jesus está falando de dois filhos perdidos, porém em situações diferentes.
 O homem criado, mesmo após o pecado, sabia que viera de Deus, mesmo assim tomou a decisão de se afastar da presença de Deus, a Graça de Deus sempre foi posta diante dos homens para que pudessem manter um relacionamento com Ele, o exemplo principal disso é a vida de Caim após matar seu irmão Abel, Caim recebeu de Deus palavras de juízo, Deus falara apenas que Caim colheria os frutos da sua maldade, sofreria as consequências da maldade que fez, Caim derramou na terra sangue inocente e a própria terra trataria Caim de acordo com sua maldade. Mas a história não termina assim, Caim diz para o Senhor que o mal que ele havia feito não tinha perdão, que os homens que o encontrassem o matariam, muitos interpretam o sinal que Deus colocou em Caim sempre da pior forma, muitas especulações são feitas sobre este sinal, porém eu vejo não algo mal da parte de Deus ao colocar este sinal, mas com aquela marca Caim seria reconhecido e aquele que o matasse seria vingado pelo próprio Deus sete vezes, Deus não o estava punindo, não estava sentenciando-o à morte, pelo contrário, estava lhe assegurando a vida, isso é graça, é receber proteção e vida, mesmo sendo um assassino do seu próprio irmão.
 Deus agiu com misericórdia e Graça com Caim, porém veja o que este fez:

 Gênesis 4: 16. Então Caim afastou-se da presença do Senhor e foi viver na terra de Node, a leste do Éden.

 Caim não fugiu geograficamente da presença de Deus, o salmo 139 nos deixa claro que isso não é possível, o que a Bíblia está nos dizendo é que mesmo após receber a Graça de Deus, mesmo recebendo vida sem merecer, Caim escolheu se afastar da presença de Deus. Caim foi apenas o primeiro de muitos que decidiram fugir da presença de Deus, hoje temos muitos como Caim, fugindo de diversas formas, se entregando a todo tipo de pecado, muitos até dizendo que não existe um Criador, mas isso está no coração de todo ser humano, infelizmente muitos não querem se apegar a essa Graça que nos foi oferecida e vivem em uma fuga constante da presença do Criador, podemos dizer que estes são "filhos" que decidiram "fugir de casa", decidiram que a presença do Pai não é tão relevante, existe um mundo de possibilidades e a presença de Deus, ou a casa do Pai não estão em primeiro lugar. Penso que este é o filho mais novo, o filho que não tem uma noção mais abrangente da vida, do mundo ao seu redor, inclusive do mundo espiritual, este filho mais novo é o tipo de pessoa que se deixa seduzir muito fácil por coisas materiais, prazeres, ou até mesmo falsas doutrinas, sendo assim acaba vivendo cada vez mais distante do Pai, nos dias em que Jesus andou sobre a terra, estes eram os gentios, os publicanos, as prostitutas, os pecadores que a religião judaica olhava com olhos altivos, pois eram incircuncisos, não tinham o sangue de Abraão correndo em suas veias.
 Agora precisamos entender o filho que não saiu de casa, entender o porquê de ele também estar perdido. Este filho nunca saiu de casa como o seu irmão mais novo, nunca fez algo que desonrasse seu pai como seu irmão, pois a atitude do irmão ao pedir a herança antes da morte era um descaso com a vida do seu pai, era uma desonra para a família, não só isso, era também transgredir um dos 10 mandamentos que estavam gravados nas tábuas da Lei.

 Êxodo 20: 12. "Honra teu pai e tua mãe, a fim de que tenhas vida longa na terra que o Senhor teu Deus te dá.

 Quando olhamos para este mandamento e não conhecemos o plano de fundo sobre o juízo que viria sobre um filho que desonrasse seu pai, não entenderemos nessa mesma profundidade o que aconteceu na história dos filhos perdidos, pois quando Deus fala que honrando os dias seriam prolongados, logo, desonrando os pais eles seriam mortos. Geralmente quando lemos isso pensamos que este filho vai sofrer por azar morrer, vai ser picado por uma cobra, vai contrair uma doença repentina, vai sofrer um acidente e sua vida será interrompida, isso é sim possível acontecer, Deus é aquele que faz justiça, e a justiça de Deus não faz dEle um Deus malvado, pois Deus para mostrar sua fidelidade ao fiel usa de sua balança justa para julgar o infiel, Deus não vai me vingar da maldade que fizeram comigo, mas a bíblia é clara que Deus não trata o culpado por inocente.

 Naum 1: 2. O SENHOR é Deus zeloso e vingador! O SENHOR é vingador! Seu furor é terrível! O SENHOR executa vingança contra os seus adversários e manifesta o seu furor contra os seus inimigos.
 3. O SENHOR é muito paciente, mas o seu poder é imenso; o SENHOR não deixará impune o culpado. O seu caminho está no vendaval e na tempestade, e as nuvens são a poeira de seus pés.

  Quando cometemos pecados, nos tornamos culpados diante de Deus, quando desobedecemos seus mandamentos nos tornamos inimigos de Deus e Ele não tratará inimigos culpados por inocentes, então quando um filho tratava seu pai com tamanha desonra, não era simplesmente a vida que daria um jeito de matá-lo, mas a própria comunidade que o faria.

Deuteronômio 21: 18. Se um homem tiver um filho obstinado e rebelde que não obedece a seu pai nem à sua mãe e não os escuta quando o disciplinam,
 19. o pai e a mãe o levarão aos líderes da sua comunidade, à porta da cidade,
 20. e dirão aos líderes: "Este nosso filho é obstinado e rebelde. Não nos obedece! É devasso e vive bêbado".
 21. Então todos os homens da cidade o apedrejarão até à morte. Eliminem o mal do meio de vocês. Todo o Israel saberá disso e temerá.
 Esta lei parece não estar exatamente dentro do processo do filho mais novo, mas está sim, pois este decidiu não dar ouvido ao seu pai que era a principal autoridade que Deus havia posto em sua vida, pediu a herança com o pai ainda vivo demonstrando completa falta de consideração, agiu de forma obstinada, quando foi embora gastou sua herança se embriagando e prostituindo-se até que desperdiçou todos seus recursos, a comunidade nestes casos com toda certeza estava ciente do que o jovem fizera e certamente ao regressar para a sua terra poderia ser o seu fim, pois certamente seria apedrejado. Por isso o pai corre ao encontro desse filho, para que antes de qualquer um condená-lo o Pai perdoa e o protege em seus braços, coloca roupas novas, anel em seu dedo e faz festa para que todos se alegrassem com o retorno do filho, tudo nesta parábola é proposital, ele disse que o filho morreu, mas agora vive, o Pai quer dizer que o filho rebelde já havia morrido quando foi para a terra distante, mas agora ele tinha um novo filho e sendo assim ninguém tinha direito de o apedrejar, compreendendo isso, nós entenderemos o tamanho do amor e da Graça a nós oferecida.
 Porém o filho mais velho não passou por este processo, ele sempre esteve na casa, sempre fez tudo o que o pai pediu, tudo o que estava no quadro de afazeres, ele cumpriu. Este filho nos revela com clareza a religião e o religioso, o que a religião faz, ela estabelece regras morais e espirituais, regras que vão nos levar a nos relacionar melhor com o próximo e aparentemente, com Deus. A religião estabelece a forma que temos que orar, o tempo, os dias, a forma de vestir, a forma de falar, são as regras escritas que precisam ser feitas, se não forem, estamos desqualificados perante a comunidade como legítimos filhos de Deus, o religioso é aquele que consegue cumprir todas as regras da casa, consegue fazer tudo o que é pedido, consegue convencer a todos que é um filho obediente e comprometido com as demandas da casa e do trabalho da casa, mas o religioso expressa algo com a sua alma, ele não faz por amor, ele não se sente honrado por fazer o trabalho, mas busca constantemente ser honrado ao fazer, ele não consegue sentir prazer ou desfrutar o fato de ser filho, mesmo com um anel no dedo, sentado à mesa como filho, mesmo assim se sente um escravo, tudo o que faz lhe é pesado, olha o que Paulo nos diz sobre essa sensação.

 Romanos 8: 15. Pois vocês não receberam um espírito que os escravize para novamente temer, mas receberam o Espírito que os adota como filhos, por meio do qual clamamos: "Aba, Pai".
 16. O próprio Espírito testemunha ao nosso espírito que somos filhos de Deus.
 17. Se somos filhos, então somos herdeiros; herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo, se de fato participamos dos seus sofrimentos, para que também participemos da sua glória.
 Hoje nós não devemos mais sentir o peso de servidão na presença de Deus, nada que vamos fazer deve ser feito com peso de obrigação, mas deve ser feito com a leveza do amor, entendendo que é para o nosso Aba. Seria incoerente, deixarmos de sentir o peso do pecado e agora sentir o peso das exigências da religião, antes nos sentíamos oprimidos pela moralidade que não tínhamos, agora nos sentimos oprimidos pela moralidade que somos "obrigados" a ter na casa do Pai, onde fazer o que está escrito não nos faz feliz.
 O filho mais velho é o exemplo do religioso, nunca saiu da igreja, sempre fez tudo certinho, e isso deveria tê-lo feito ser grato, já que viu as consequências na vida do irmão mais novo ao se distanciar da presença do Pai, mas ao invés disso, nesta parábola revela seus mais profundos sentimentos, ele se achava melhor do que o irmão que se perdeu lá fora, ele achava que merecia mais do Pai, ele se recusou entrar na festa, ou seja, não tinha motivos para se alegrar com o retorno do irmão, ele também achava que o irmão não merecia ser recebido, tudo isso foi demonstrado na reação do irmão mais velho.
 Há um grande perigo quando passamos a ser religiosos, pois podemos nos tornar hipócritas, podemos trabalhar perfeitamente para convencer a todos de que somos bons filhos, pois sempre fazemos o que nos é mandado, sendo assim podemos até assumir posições elevadas na casa, quero meditar com você em uma outra parábola e veremos o quanto ser um perfeito religioso pode nos destruir.

 Mateus 24: 45. "Quem é, pois, o servo fiel e sensato, a quem seu senhor encarrega dos de sua casa para lhes dar alimento no tempo devido?
 46. Feliz o servo a quem seu senhor encontrar fazendo assim quando voltar.
 47. Garanto-lhes que ele o encarregará de todos os seus bens.
 48. Mas suponham que esse servo seja mau e diga a si mesmo: ‘Meu senhor se demora’,
 49. e então comece a bater em seus conservos e a comer e a beber com os beberrões.
 50. O senhor daquele servo virá num dia em que ele não o espera e numa hora que não sabe.
 51. Ele o punirá severamente e lhe dará lugar com os hipócritas, onde haverá choro e ranger de dentes".
 Nesta parábola vemos a descrição de Jesus sobre alguém que claramente assumiu um lugar de responsabilidade na sua casa, nós aqui estamos vendo o retrato de um líder, de um pastor, mas este líder não foi colocado nesta posição por sorte, ele foi visto como observamos no versículo 45 como um servo sensato e fiel, e ao convencer ao seu senhor de que era sensato e fiel foi posto nesta função de grande responsabilidade, com toda certeza este servo cumpria todos os seus afazeres, era impecável em tudo e por isso foi visto como apto para assumir, mas Jesus muda toda a história ao supor que este servo fosse mal, Jesus está querendo dizer que o servo foi impecável e conseguiu convencer a todos de que era um grande servo, mas sua natureza ainda era má, Jesus descreveu o que aconteceria na casa e que no dia da prestação de contas este servo seria lançado junto aos hipócritas, pois foi este o seu pecado, foi convencer a todos de que era um bom servo. Querido leitor, a religião nos faz ser cumpridores de regras, a ponto de convencermos a todos e corrermos o risco de não termos nossa natureza transformada, eis o grande perigo da religião.

 O que tem de diferente na vida cristã? Não seremos moralmente corretos? Viveremos pecando ou saindo da casa do Pai?

 Não é isso que estou dizendo, uma vida cristã é também uma vida que busca cumprir a Palavra, toda a Lei de Deus, mas não fazemos para cumprir simplesmente regras, fazemos por amor, não fazemos para sermos honrados, fazemos porque entendemos que todos nós estávamos destituídos da Glória de Deus, independente de termos anteriormente uma vida moralmente correta, mesmo se fôssemos as melhores pessoas do mundo, estávamos diante de um muro que nos separava de Deus, muro da mesma altura que o imoral tinha entre ele e Deus, mas o sacrifício perfeito de Cristo derrubou esta muralha, dando-nos então acesso e possibilitando, gentios, gregos, judeus, pecadores em todos os níveis, a este lugar de honra na casa e na mesa do Pai.

 Efésios 2: 11. Portanto, lembrai-vos de que vós noutro tempo éreis gentios na carne, e chamados incircuncisão pelos que na carne se chamam circuncisão feita pela mão dos homens;
 12. Que naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo.
 13. Mas agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto.
 14. Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio,
 15. Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz,
 16. E pela cruz reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades.
 17. E, vindo, ele evangelizou a paz, a vós que estáveis longe, e aos que estavam perto;
 18. Porque por ele ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito.
 19. Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos, e da família de Deus;

 Deus através do sacrifício de Cristo na cruz derrubou a muralha que nos colocava em uma posição de inimigos de Deus, agora somos família de Deus, na parábola dos filhos perdidos em Lucas 15, ambos são filhos, ainda que diferentes, porém o que fará a diferença na vida dos filhos é o arrependimento e a gratidão e prazer pelo privilégio de ser filho de Deus.
 Efésios 2: 1. Vocês estavam mortos em suas transgressões e pecados,
 2. nos quais costumavam viver, quando seguiam a presente ordem deste mundo e o príncipe do poder do ar, o espírito que agora está atuando nos que vivem na desobediência.
 3. Anteriormente, todos nós também vivíamos entre eles, satisfazendo as vontades da nossa carne, seguindo os seus desejos e pensamentos. Como os outros, éramos por natureza merecedores da ira.
 4. Todavia, Deus, que é rico em misericórdia, pelo grande amor com que nos amou,
 5. deu-nos vida juntamente com Cristo, quando ainda estávamos mortos em transgressões — pela graça vocês são salvos.

 Se nós olharmos pela ótica da moralidade, Paulo não deveria usar o "nós" vivíamos satisfazendo a vontade da carne, Paulo não era um homem de baladas, de viver embriagado, de estar se prostituindo, pelo contrário, fariseu, homem honrado e respeitado vivendo uma vida piedosa em sua religião, mas agora que entende que uma vida moral não o faz santo, se esta vida não atravessar a porta da Graça, se esta vida não entrar pelo caminho que foi aberto na Cruz, nossa moralidade antes da Graça são trapos de imundícia diante de Deus, pois como na vida do filho mais velho, ela nos fará soberbos, nos fará desprezar o próximo, vamos verificar outro exemplo.

Lucas 18: 9. A alguns que confiavam em sua própria justiça e desprezavam os outros, Jesus contou esta parábola:
 10. "Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro, publicano.
 11. O fariseu, em pé, orava no íntimo: ‘Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens: ladrões, corruptos, adúlteros; nem mesmo como este publicano.
 12. Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho’.
 13. "Mas o publicano ficou à distância. Ele nem ousava olhar para o céu, mas batendo no peito, dizia: ‘Deus, tem misericórdia de mim, que sou pecador’.
 14. "Eu lhes digo que este homem, e não o outro, foi para casa justificado diante de Deus. Pois quem se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado".
 Este fariseu era impecável no cumprimento da Lei, ser um cumpridor da Lei o fez um religioso, ele cumpria as regras, mas seu coração era tomado pela vaidade e soberba. É importante notar que ele está orando no íntimo, as coisas que estão no seu coração não são expostas, sua forma de julgar as pessoas, mas Jesus disse que o publicano (um dos pecadores mais detestáveis pela religião judaica) saiu daquele lugar justificado.
 A sensação de estar convencendo a todos de que somos piedosos, santos e cumpridores das regras da religião pode ser um laço de engano, nos é necessário passar pela experiência do novo nascimento, ter uma vida regenerada por Deus, isso começa de dentro para fora, daí sim, faremos tudo o que nos é exigido na Lei, mas não faremos para provar às pessoas, mas faremos porque isso faz parte da nossa natureza.
 O novo nascimento nos possibilitará fazer o que Jesus ensina no sermão do monte, algumas atitudes que humanamente parecem impossíveis, Jesus ensina sobre o fazer além do que é esperado, o cristianismo é uma maneira de viver que nos leva além da religião.

 Mateus 5: 39. Mas eu lhes digo: Não resistam ao perverso. Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra.
 40. E se alguém quiser processá-lo e tirar-lhe a túnica, deixe que leve também a capa.
 41. Se alguém o forçar a caminhar com ele uma milha, vá com ele duas.
 42. Dê a quem lhe pede, e não volte as costas àquele que deseja pedir-lhe algo emprestado".
 Estes ensinamentos não fazem parte da religião, a religião se contenta apenas em fazer a primeira parte do ensinamento de Jesus, porém Cristo nos ensina que nós não somos movidos pelas regras, somos movidos pelo Espírito e este mesmo Espírito nos condiciona a ir além.
 Dar a outra face.
 Não necessitamos nos aprofundar muito neste texto, mas podemos entender o que Jesus está dizendo aqui, quem fere na face, não apenas bate, mas essa forma de agressão é também uma forma de humilhação, talvez você que está lendo já foi agredido na face e sabe o que estou lhe falando, Jesus ao ensinar isso não está apenas falando sobre não retribuir as agressões que alguém nos faz, mas não retribuir ainda que estas agressões nos humilhem, ainda que elas nos deixem marcas expostas que não conseguiremos esconder, todos os que olharem para nós poderão vê-las, mesmo assim, não devemos devolver a agressão, Jesus disse que o agressor é perverso, ao agirmos da mesma maneira deixaremos de agir como nova criatura e nos assemelharemos ao perverso.
 Deixar levar a capa.
 Jesus nos ensina a sofrer o prejuízo sem nos sentirmos derrotados, o prejuízo no ensino seria a perda da túnica, pois por ela alguém iria agir com um processo para tomá-la, mas Jesus nos ensina aqui a não nos apegarmos a ela a ponto de aceitar entrar na briga, mesmo que entendêssemos que é de direito nosso, Jesus não apenas nos orienta a deixarmos levar a túnica, mas ir além, deixar que leve a capa em demonstração de desapego total às coisas materiais e com uma demonstração real de que elas nunca serão motivo para criar raiz de inimizade no nosso coração. É importante ressaltar que Jesus usa apenas o exemplo de uma túnica e capa, mas que estes exemplos servem para todas as coisas de valor material e que vale a pena abrir mão do que seja para preservar a nossa alma descontaminada, e também porque essas coisas que revelarão nossa real natureza e identidade espiritual.
 Vá com ele duas milhas.
 Jesus ao ensinar isso, conseguia ser entendido com facilidade nos seus dias, para nós talvez seja um pouco mais difícil. Naquele tempo os romanos dominavam sobre o povo de Israel e os soldados romanos exerciam este poder de forma que podiam obrigar um cidadão a carregar algo por uma milha, dali em diante poderia obrigar outro cidadão a continuar carregando, o cidadão poderia estar ocupado em qualquer coisa, os soldados romanos obrigavam eles a carregarem aquele peso de forma legal diante da própria lei deles (livro- O Sermão do Monte, D. Martin Lloyd-Jones).
 Caminhar uma milha era desagradável a qualquer pessoa, era carregar um peso que não lhe pertencia e que o tirava das suas próprias atividades, qualquer um se sentiria abusado por essa exigência e a faria com muita má vontade e raiva, mas Jesus está ensinando que quando você faz apenas o que lhe é mandado, você não está manifestando nada diferente do que qualquer outro cidadão poderia manifestar, um religioso ou um publicando caminhariam uma milha se fossem obrigados, mas Jesus está nos ensinando a caminhar a segunda milha, ou seja, aquela que não é feita por obrigação e sim por amor. Precisamos entender este ensinamento, ele é determinante para dizer se somos bons servos do Senhor ou se somos inúteis, o servo que só faz o que a religião diz, as regras exigem, é chamado de servo inútil, nós somos chamados a fazer além do que a religião nos exige, somos chamados e motivados pelo Espírito.
 Lucas 17: 10. Assim também vocês, quando tiverem feito tudo o que lhes for ordenado, devem dizer: ‘Somos servos inúteis; apenas cumprimos o nosso dever’ ".
 Jesus disse essa parábola após ensinar sobre o perdão, que seus discípulos deveriam repreender seu irmão caso ele pecasse contra eles, mas se este se arrependesse, ainda que sete vezes no dia, que eles deveriam perdoá-lo, eles disseram então: "Senhor, aumenta a nossa fé!". Eles achavam que isso era muito, estava além das possibilidades deles, pois a lei não exigia que perdoassem tanto, ela ensinava que era olho por olho e dente por dente, se alguém pecasse contra alguém, a conta não chegaria no dia do juízo de Deus apenas, a própria pessoa iria atrás de justiça e condenaria aquele que cometeu o pecado. Não há erro em buscar justiça, é nosso direito, é a regra, podemos exigir que ela seja cumprida pelo próximo, e caso este não  cumpra, temos o direito de exigir que seja punido pela lei, a religião age assim, o cristianismo vai além, ele não despreza a lei, ele revela o quanto a lei pode ser cumprida se ela é observada em amor, eu posso exigir que a lei e o juízo seja feito com aquele que me prejudicou, mas eu também posso perdoá-lo se eu quiser, ou se eu tiver capacidade para isso. Algumas pessoas vêm me perguntar sobre o divórcio quando estou dando palestras para casais, geralmente falam que o próprio Jesus também deixou uma brecha para que o divórcio possa ser aceito diante de Deus, ou seja, a destruição de uma família, as pessoas falam como se Deus assinasse embaixo aquela certidão de destruição da família, mas precisamos entender algo muito relevante sobre a questão do divórcio, pois os religiosos acreditavam que podiam fazer isso sem ferir sua devoção para com Deus, já que existia uma regra escrita que dava a eles condições de se separarem de suas esposas.
 Mateus 19: 3. Alguns fariseus aproximaram-se dele para pô-lo à prova. E perguntaram-lhe: "É permitido ao homem divorciar-se de sua mulher por qualquer motivo? "
 4. Ele respondeu: "Vocês não leram que, no princípio, o Criador ‘os fez homem e mulher’
 5. e disse: ‘Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne’?
 6. Assim, eles já não são dois, mas sim uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, ninguém o separe".
 7. Perguntaram eles: "Então, por que Moisés mandou dar uma certidão de divórcio à mulher e mandá-la embora? "
 8. Jesus respondeu: "Moisés lhes permitiu divorciar-se de suas mulheres por causa da dureza de coração de vocês. Mas não foi assim desde o princípio.
Mateus 19: 9. Eu lhes digo que todo aquele que se divorciar de sua mulher, exceto por imoralidade sexual, e se casar com outra mulher, estará cometendo adultério".
 Algumas coisas precisam ficar claras neste ensinamento de Jesus, os religiosos tinham base na lei de Moisés para que pudessem se divorciar de suas esposas e isso não os atrapalharia em nada na sua vida religiosa, era como se pensassem, "eu só não posso fazer aquilo que não está escrito", mas Jesus veio ensinar que uma vida com Deus sempre vai fazer além do que está escrito na regra da religião, entenda que não é além do que a bíblia diz, pois o próprio Jesus está ensinando o que eles deveriam fazer de acordo com a própria Palavra de Deus, esta Palavra que quando entendida nos convencerá a fazer mais do que a religião nos exige.
 Primeira coisa, não era por qualquer motivo que poderia se separar.
 Segundo, a referência de matrimônio não é a que foi estabelecida após a Lei entregue por Moisés, mas o casal que Deus criou e colocou no Éden, "no princípio não era assim", e Jesus usa o primeiro casal como referência ao explicar sobre o divórcio.
 Terceiro, a certidão de divórcio só foi permitida pela dureza do coração deles, quando há um divórcio, não é porque Deus quis assim e sim porque o coração de ambos, ou mesmo de um dos cônjuges está endurecido.
 Ainda que Jesus tenha dito que o caso da imoralidade sexual é uma razão justificável para o divórcio, não podemos abrir mão do mandamento superior que é o amor a Deus e semelhante a este, o amor ao próximo, a condição de julgar imperdoável o ato de traição do cônjuge não anula a condição de perdoá-lo, perdoar quem cometeu um erro e se pôs na brecha do que está escrito e que me condiciona a agir conforme a regra do divórcio é uma opção, mas não a única, pois por experiência de anos aconselhando pessoas, melhor seria se houvesse o perdão e que o casal continuasse lutando pela família, pois nem sempre um erro como esse é o sinal de que aquela família deve acabar, daí entenderemos com clareza que a dureza do coração do homem tanto em trair, como também após o erro, em não perdoar o que traiu, poderá resultar neste divórcio, e que perdoar mesmo que a regra da religião me condicione a deixá-lo, será o mesmo que caminhar a segunda milha. Não somos servos inúteis, pois não fazemos apenas o que nos foi mandado, estamos prontos a perdoar o imperdoável pelo poder do Espírito que nos governa.
 Dê a quem lhe pede, e não volte as costas àquele que deseja pedir-lhe algo emprestado.
 Aqui fechamos essa parte e com muito mais clareza, a religião nos pede algo, nós faremos porque somos cumpridores e não rebeldes, mas ainda que não peça, nós faremos apenas por entender que é o desejo de Deus que façamos, ir além da religião é fazer algo movidos não apenas pelo que nos é mandado, exigido, pedido, ou que esteja escrito, é sermos movidos por amor.

 Mateus 5: 46. Se vocês amarem aqueles que os amam, que recompensa receberão? Até os publicanos fazem isso!
 47. E se vocês saudarem apenas os seus irmãos, o que estarão fazendo de mais? Até os pagãos fazem isso!
 48. Portanto, sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês [sejam perfeitamente parecidos com o Pai de vocês]".
 Jesus foi pesado e proposital em suas palavras, os religiosos achavam-se cumpridores da Lei com tudo o que faziam, Jesus disse que tanto os publicanos, estes que tinham sangue israelita, porém considerados traidores da nação, como também os gentios, estes que não temiam a Deus, não tinham a marca da aliança que era a circuncisão, Jesus está dizendo que os religiosos não fazem nada do que eles também não façam, mas nós deveremos fazer muito mais, e por que faremos mais? Porque todos os dias estamos nos tornando mais parecidos com o nosso Pai celestial.
A igreja de Éfeso que foi mais elogiada do que repreendida no livro de Apocalipse capítulo 3 tinha apenas um problema, em meio aos seus atos de defesa da pureza das verdades das Escrituras, em meio a perseverança e do trabalho, ela havia perdido o primeiro amor, talvez se olhássemos para essa igreja de forma superficial, diríamos que ela cumpre muito bem o seu papel, que ela é impecável, mas a perda deste amor que Jesus mencionou fez dela uma igreja reprovada, podemos cumprir todas as regras, estarmos movidos em todas as atividades da casa do Pai, ainda assim corremos o risco de vivermos como o filho mais velho da parábola dos filhos perdidos, que sejamos gratos pela posição de honra a nós concedida, que possamos entender que é por Graça que nos assentamos à mesa, sendo assim viveremos autenticamente o cristianismo a nós proposto.

#PenseNisso

Guarde sua espada!

  Mateus 26:51 Um dos que estavam com Jesus, estendendo a mão, puxou a espada e feriu o servo do sumo sacerdote, decepando-lhe a orelha.  52...